Os EUA querem expandir a exploração offshore

Expansão acelerada da exploração de óleo e gás nos EUA pode mudar prioridades do capital disponível para investimento

“O presidente americano está propondo uma expansão massiva de exploração de petróleo em mar”, segundo Megan Geuss, em 6 de Jan 2018.

É melhor produzir energia sob regulação razoável do que ver produções em outros lugares sem nenhuma regulação. Acelerar e expandir o escopo dos leilões de óleo e gás, como plano para restabelecer o domínio americano em energia.” Secretário do Interior Ryan Zinke. (latimes.com/)

A proposta apresentada colocaria mais de 90 por cento das áreas federais offshore reconhecidas por poder conter óleo e gás em leilões entre 2019 e 2024. Costa do Alaska, Regiões do Pacífico, Golfo do México e a sempre controversa Costa do Atlântico.

Há vários tipos de debate sobre esta iniciativa, passando pela interferência federal sobre as competências estaduais, as questões de acidentes e vazamentos, a insaciabilidade energética americana que representa na ordem de 20% do consumo mundial de petróleo e gás do mundo, questões militares de áreas protegidas, vulnerabilidades a ataques de vários tipos, etc.

A administração Obama declarou moratória nos processos de leasing do Golfo do México, com base na explosão e vazamento no acidente da Deepwater Horizon em 2010, reduzindo em muito as licitações e a perfuração. A quantidade saltou de 5004, em 2008, para 847, em 2016, no número de poços perfurados.” (latimes.com/)

As reservas provadas dos 20 países com maiores reservas acumulam 1,5 trilhão de barris. Em uma conta simplista e usando a média apenas, com um consumo mundial de quase 100 milhões de barris por dia atualmente, teríamos três a quatro décadas de cobertura teórica.

E o Brasil, como fica nesse cenário? Caso essa abertura das áreas americanas se realize como anunciado, isso afetaria a atratividade dos leilões brasileiros?

Considerando as “certezas” relativas de volumes e produtividade dos reservatórios de Pré-sal brasileiros já reconhecidos, provavelmente essa abertura americana não aparenta trazer muita influência negativa nas condições em que estamos nos encaminhando. Dentre os motivos poderiam ser listados fatores como:

Até hoje, foram realizadas partes importantes das descobertas, já havendo um modelo concebido, enquanto os EUA apenas discutem abrir as áreas para leilões. Portanto, teríamos de atrair os investimentos locais brevemente, ajustar a regulação convenientemente e ter estratégias de monetizar ao máximo os resultados para a nação (bonus, participações governamentais, desenvolvimento da logística, conteúdo local inteligente retido, pesquisa seletiva e alavancadora, etc.).

Para os EUA, que lidam com estratégias e contingências continuamente pelo modelo político que adotaram, ter fontes alternativas volumosas próximas de países não inimigos seria bastante efetivo.

Por outro lado, se realmente de 2019 a 2024 os EUA tiverem leilões em grande quantidade, há de se lembrar que o capital investidor é limitado. Não há dinheiro infinito para esse segmento de negócio. Pode haver priorização diferente do que podemos imaginar, com base na própria quantidade de recursos financeiros para óleo e gás, nacionalismo incentivado, análise de estabilidade regulatória e política de países como o Brasil, expectativas da chegada de novas tecnologias energéticas que forcem mudanças mais rápidas.

Há, sem dúvida, uma visão geral de monetizar o mais rapidamente possível as reservas disponíveis, o interesse em reduzir a dependência de importações, o reaquecimento da atividade produtiva e consequente atração de empregos locais.

Ninguém quer acabar a fase do petróleo, para alguns evidente para as próximas décadas, com óleo guardado “em estoque”.


Armando Cavanha (cavanha.com) é professor convidado da FGV/MBA.

você pode gostar também