Lauro Cotta desiste e Petrobras busca novo nome para diretoria

Renúncia à indicação de diretor ocorre na véspera da apreciação de seu nome no Conselho de Administração

Três semanas após sua indicação, Lauro Cotta comunicou na noite de segunda-feira (28/1) à Petrobras que não irá assumir o cargo de diretor executivo de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão, mesmo depois de ter seu nome aprovado no background check elaborado pela área de Governança & Conformidade. Fontes do alto escalão da petroleira disseram à BE Petróleo que a decisão foi motivada pela preocupação do executivo com eventuais ações de improbidade e todo o risco jurídico atrelado ao cargo.

A decisão de Cotta pegou a petroleira e o mercado de surpresa, já que o executivo vinha realizando reuniões informais com diversas áreas, gerentes e conselheiros da companhia para entender o funcionamento da empresa. Pessoas que estiveram com Cotta nos últimos dias afirmam que o executivo demonstrava estar animado com a nova colocação.

Lauro Cotta

No dia da renúncia, segundo fontes, Lauro Cotta teria se reunido com o conselheiro da Petrobras, Segen Estefen, que preside o Comitê de Estratégia, órgão que tem forte conexão com a área de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão. No encontro, o executivo não teria demonstrado nenhum indicativo de que desistiria do cargo.

A BE Petróleo tentou entrar em contato com Lauro Cotta, mas não teve sucesso. O executivo já dispunha de um ramal na Petrobras e vinha passando o número para pessoas do setor. O telefone é o mesmo da Diretoria de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão.

A inesperada desistência de Cotta provocou uma avalanche de boatos sobre possíveis motivos da sua decisão, que vão desde ingerência do governo na Petrobras a eventuais problemas pessoais e relacionados com a empresa. Em comunicado oficial, a petroleira afirma que a decisão do executivo foi motivada por questões pessoais. A preocupação com eventuais ações de improbidade e todo o risco jurídico atrelado ao cargo é de fato uma questão crítica, mas nada que não fosse conhecido no momento do convite.

Em menos de um mês no cargo, Castello Branco foi acionado em duas ações de improbidade. Pedro Parente, ex-presidente da empresa, acumulou durante sua gestão mais de 50 processos judiciais.

Novo nome

A Petrobras já iniciou a busca por um novo nome para indicar à diretoria que seria ocupada por Cotta. Por enquanto não há nenhum nome pré-selecionado, mas a intenção é acelerar o processo de indicação para evitar que os diretores atuais sigam acumulando funções. O plano é escolher um executivo do mercado, mas diante da dificuldade não será surpresa se a Petrobras acabar optando por alguém de dentro da empresa. Cotta vinha da iniciativa privada.

Com a desistência de Cotta, o diretor Financeiro & de Relacionamento com Investidores, Rafael Grisolia, segue acumulando interinamente o cargo de diretor executivo da pasta, como já vinha acontecendo desde o início do ano.

Lauro Cotta foi indicado no início de janeiro para ocupar a vaga deixada por Nelson Silva, ex-diretor da área, que deixou o cargo no início do ano. Visto com respeito pelo mercado, o executivo foi diretor presidente da Minasgás Distribuidora de Gás Combustível, SHV Gás Brasil e Supergasbras Energia, entre 2000 e 2014, tendo ocupado também assentos nos Conselhos da SHV Energy-Holanda, de 2012 a 2014, da Supergasbrás Energia, de 2014 a 2017, e do IBP, onde trabalha atualmente.

Esta não é a primeira que Roberto Castello Branco enfrenta problemas no processo de indicação de novos executivos para a companhia. No dia 11 de janeiro, a indicação de Carlos Victor Guerra Nagem, o capitão Victor, para a Gerência Executiva de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras (ISC) ganhou a imprensa nacional. Amigo do presidente Jair Bolsonaro, o executivo foi indicado por Brasília.

Na semana seguinte, o ex-diretor da ANP, John Forman, foi convidado para assumir o cargo de conselheiro, renunciando ao posto menos de 30 horas depois em função do vazamento de informação sobre sua condenação em segunda instância pela CVM em um processo sobre o uso de informações privilegiadas na venda de ações da extinta HRT.

Nomeação diretores da casa

A indicação de Lauro Cotta ocorreu na mesma leva de Anelise Quintão Lara, Carlos Alberto Oliveira e Rudimar Lorenzatto convidados para assumir as diretorias de Refino & Gás Natural, E&P e Desenvolvimento da Produção & Tecnologia, respectivamente. Os três diretores devem ter suas indicações aprovadas nesta quarta-feira (30/1), pelo Conselho de Administração da petroleira.

A Petrobras planejava agilizar o processo de aprovação dos novos diretores da casa, aprovando as indicações em reuniões extraordinárias, mas a proposta acabou frustrada pela falta de alguns documentos. Além da indicação dos três diretores da casa, o CA poderá apreciar também a indicação de alguns dos novos conselheiros e gerentes executivos.

A lista de novos conselheiros contempla os nomes do almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, indicado para presidir o colegiado, do economista João Cox e do professor da UFMG, Nivio Ziviani, indicado recentemente no lugar de John Forman. Entre as indicações a serem avaliadas pelo CA está também a de Carlos Victor Guerra Nagem para a Gerência Executiva de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras (ISC).

 

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