Fusões e aquisições

País tem que se preparar para investida forte de capital internacional pelos próximos dois a cinco anos

Uma pesquisa realizada pela consultoria Baker & McKenzie – Um guia básico de fusões e aquisições na América Latina – conclui que esta é uma das melhores regiões para negócios atualmente no mundo para compras, vendas e parcerias.

Os quatro países que mais investiram na região, entre 2012 e 2017, em ordem decrescente de valores foram Estados Unidos, Espanha, Canadá e China.

E os quatro países que receberam os maiores investimentos dessa natureza foram Brasil, Chile, México e Peru.

As áreas de negócio atrativas para investimentos foram energia mineração e utilidades, em primeiro lugar, seguidas de consumo; depois tecnologias e telecomunicações; ainda indústria e química e, por fim, serviços financeiros.

Das cinco operações com maiores entradas de valores, duas foram no Brasil, duas no Chile e uma no México.

Há uma percepção de que o Chile estaria em primeiro lugar em atratividade na região, havendo bastante interesse no México e Brasil para investir, apesar destes dois países ainda com ambientes regulatórios em transformação.

Uma outra consultoria, a PWC, publicou um estudo – Negócios em Óleo e Gás nos Estados Unidos: 2017 –  dizendo que no quarto trimestre do ano passado foram feitos sessenta e oito negócios, num total de US$ 48,31 bilhões, sendo que vinte e oito deles foram relacionadas com o xisto. O Golfo do México, após um ano sem negócios, teve duas transações no valor total de US$ 1,07 bilhão.

No Brasil, no segmento de óleo e gás, as áreas exploratórias e as já em produção, os ativos em mar por exemplo, obviamente mais complexos, já são em grande parte alvo claro das gigantes mundiais, que têm comprado blocos nos leilões da ANP e feito parcerias importantes com a maior operadora brasileira, a Petrobras. Há desinvestimentos também e as estrangeiras têm apetite alto nesses campos no Brasil.

Em terra e em águas rasas, pelo fato de existirem rodadas inéditas e intensa venda de ativos pela Petrobras, também as oportunidades são inúmeras. Há, aparentemente, casos em que os investidores têm procurado ter parceiros nacionais, visando enfrentar as questões de cultura, complexidade societária e tributária, e logística. Há empresas nacionais nas disputas, isoladamente.

Para bens e serviços, ou seja a indústria de materiais, equipamentos e serviços de engenharia que fornece para operadores, consórcios e afretadores, há um primeiro grupo mais tecnológico, como serviços em poços, perfilagem, aquisição geofísica, instalações subsea, que já eram há muito tempo internacionais com bases locais.

Um segundo grupo poderia ser considerado os que atuam na fase de desenvolvimento de produção, especialmente topsides e todos os seus itens. Parece haver espaço para operações de entrada de empresas interessadas no mercado local, tanto para cobrir a substituição de empresas que passaram por crises recentes como para fazerem centros de exportação e manutenção regionais com origem local. Nem sempre o Brasil tem sido o ponto escolhido, a Colômbia por vezes tem sido um país atrativo para centros de serviços distribuídos.

O papel de afretador tem sido crescentemente utilizado nas operações de óleo e gás upstream, uma vez que congrega e integra diversas atividades que os operadores estão cada vez mais “terceirizando”. Os operadores, com isto, deixam de ter inúmeros contratos e interfaces, passando aos afretadores esta função. Assim, equipamentos e serviços tem, adicionalmente, novos clientes.

Nos casos em que há trocas de tecnologias, uma boa prática poderia ser a de associar uma universidade brasileira como elemento para acompanhar tecnicamente a empresa local, visando absorver e nos passos seguintes desenvolver também soluções e ajustes. Normalmente a primeira onda de transferência tecnológica não é tão complexa, pois o próprio negócio impulsiona. As pesquisas contínuas que se seguem aparentemente são mais desafiadoras manter e acompanhar.

Há as questões de gestão, disciplina, organização e modelo mental que sempre chamam à atenção em relação à performance de empresas internacionais. Existe uma atração pelo modelo direto e objetivo de gestão estrangeira, especialmente a americana. Mas os cuidados com a cultura e uma comunicação sistêmica e abrangente sempre são recomendáveis.

Esses dados são importantes para os empresários discutirem e desenvolverem estratégias de assimilação de capital internacional. Parece haver boa receptividade para fazer bons negócios de venda, parceria, ou obtenção de tecnologias, por vezes até comprar, ou apenas garantir a sobrevivência da marca original.

Concluindo, deve haver uma investida forte de capital internacional pelos dois a cinco anos seguintes. Vale lembrar que ninguém investe valores altos se não tiver visibilidade de crescimento, estabilidade e lucros.

Bons e seguros negócios a todos!

Armando Cavanha (cavanha.com) é professor convidado na FGV/MBA

você pode gostar também