Eleições 2018: polarização também marca planos para o petróleo

Na semana do pleito que definirá o próximo presidente, BE Petróleo lista propostas para o setor

Grande marca das eleições presidenciais de 2018, a polarização entre o PSL de Jair Bolsonaro, e o PT, de Fernando Haddad, se evidencia também nos planos dos candidatos para o setor petróleo brasileiro. Assim, os planos pendem entre a continuidade do processo de abertura e a volta de maior controle estatal sobre as atividades no upstream e o downstream.

Diante disso, a BE Petróleo examinou os programas de governo dos cinco primeiros colocados nas pesquisas Datafolha e Ibope.

Jair Bolsonaro

Em seu programa de governo, Bolsonaro afirma que a Petrobras deve vender parcela substancial de sua capacidade de refino, varejo e transporte, a fim de promover a competição nesses segmentos.

O candidato promete acabar com o monopólio da petroleira sobre a cadeia de produção do gás natural, dando livre acesso a gasodutos de transporte, independência a distribuidoras e transportadoras e incentivando a exploração não convencional.

Em relação aos preços dos combustíveis, o plano é seguir os mercados internacionais, suavizando as flutuações de curto prazo com mecanismos de hedge (proteção).

Bolsonaro diz ainda que removerá gradualmente as exigências de conteúdo local, uma vez que essa política “reduziu a produtividade e a eficiência, além de ter gerado corrupção”.  

“O emprego na indústria local crescerá nas atividades onde houver vantagens comparativas ou competitividade”, argumenta o candidato.

Fernando Haddad

Em outra direção, Fernando Haddad, prevê devolver à Petrobras a função de agente estratégico do desenvolvimento brasileiro, garantindo-a como empresa petrolífera verticalizada, atuando em exploração, produção, transporte, refino, distribuição e revenda de combustíveis.

Na condição de companhia integrada de energia, a estatal também estará, segundo o candidato petista, nos ramos de biocombustíveis, energia elétrica, fertilizantes, gás natural e petroquímica.

“Será interrompida a alienação em curso de ativos estratégicos da empresa, ao tempo em que a política de conteúdo local será retomada e aprimorada”, prevê seu programa de governo.  

Novamente em oposição a Bolsonaro, Haddad promete reorientar a política de preços de combustíveis da Petrobras a fim de garantir um preço estável e acessível para os combustíveis.

“O mercado brasileiro é aberto a importações, mas isso não significa que o petróleo retirado no Brasil, aqui transportado e refinado, com custo bem menor que o internacional, seja vendido aos brasileiros segundo a Nova Política de Preços da Petrobras do governo Temer”, defende.

Ciro Gomes

Em linha com o presidenciável do Partidos dos Trabalhadores, Ciro Gomes, do PDT, propõe recriar um fundo soberano para possibilitar a implementação de políticas anticíclicas e a estabilidade de preços importantes, como o do petróleo, no mercado interno, “sempre resguardando a rentabilidade das empresas produtoras desses bens”, ressalta.

Na visão do candidato, as fontes de energia são uma questão de soberania nacional e, portanto, devem estar sob controle do Estado. Por isso, Ciro promete revogar a venda de todos os ativos leiloados no governo Temer sob regime de partilha após o fim da operação única da Petrobras.

“Não há nenhuma razão nacional brasileira – estratégica, econômica ou energética – que justifique a venda das nossas reservas ao exterior ou a pressa em explorar e produzir o nosso petróleo”, justifica.

Marina Silva

Candidata pelo partido Rede Sustentabilidade, Marina Silva diz que analisará a possibilidade de privatização das quase 170 estatais brasileiras, mas que a Petrobras está no grupo de empresas que não serão vendidas, ao lado do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

Lembrando que as grandes petroleiras estão redirecionando seus esforços e recursos para investimentos em energias renováveis, Marina afirma que, em seu governo, a Petrobras deverá assumir um papel de liderança nos investimentos em energias limpas, “se beneficiando do enorme potencial brasileiro”.

Gerado Alckmin

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, não apresentou propostas específicas para o setor petróleo em seu programa de governo.

 

 

 

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