Cenário global do descomissionamento 2018-2022

Abandono de campos vai demandar inovações tecnológicas e de serviços

Cerca de 700 unidades offshore de petróleo e gás estão programadas para a chamada Cessation of Production (CoP) – término da produção ou fim da finalidade produtiva – nos próximos cinco anos, sendo que as despesas com descomissionamento deverão crescer de US$ 3,5 bilhões por ano atualmente para US$ 6 bilhões por ano no período de 2018-2022.

Desse montante de poços em fins de operação, cerca de 19% estão no Mar do Norte, representando 17% das despesas mundiais de descomissionamento.

Atualmente são três as regiões de maiores atividades de descomissionamento global: Mar do Norte, Golfo do México e a Ásia (Pacífico). No Golfo do México, cerca de 55 campos estarão na CoP, entre 2018-2022, com despesas previstas superiores a U$ 3 bilhões.

De acordo com o IHS Markit’s Offshore Decommissioning Study Report,  há previsão de 2 mil projetos de descomissionamento no mundo para o período 2020-2040, que significarão despesas na ordem de US$ 200 bilhões, já envolvendo países como Angola, Austrália, Brasil, Indonésia, Nigéria e Tailândia, entre outros.

No Brasil encontram-se em operação 150 unidades offshore onde, de acordo com a ANP, 54% estão operando há mais de 25 anos. Existem 74 plataformas fixas programadas para descomissionamento, sendo que entre 15 a 20 estão com aviso à ANP de que serão descomissionadas a partir de 2020.

O mercado de descomissionamento deverá ter significativo crescimento a partir do descomissionamento de cinco jaquetas na Bacia de Campos, bem como a revitalização de um campo de petróleo, ambos em análise na ANP.

Um estudo realizado pela Coppe/UFRJ publicado nesta revista em maio de 2017 sugere que o país necessitará descomissionar 60 instalações offshore e cerca de 165 poços, nos próximos 5 a 10 anos.

Essas oportunidades surgirão tão logo a ANP apresente as resoluções revisadas aplicáveis à atividade, previstas para estarem prontas neste ano. Além disso, um mapeamento das competências, habilidades e expertises inerentes e necessárias para a implantação dessas novas atividades já começou a ser feito, com a perspectiva de trazer geração de empregos e renda.

Diante desse cenário, é preciso que a atividade de descomissionamento seja planejada antes de se alcançar o período de CoP – Cease of Operation ou Término da Produção. Essa atividade é tradicionalmente dividida em três grandes áreas: P&A – Abandono do Poço; Subsea – Descomissionamento de equipamentos e materiais entre a plataforma e o solo marinho; e Topside – remoção e desmantelamento dos equipamentos e materiais da plataforma.

No Brasil encontram-se em operação 150 unidades offshore onde, de acordo com a ANP, 54% estão operando há mais de 25 anos.

Essas atividades devem ser estudadas e analisadas sob a ótica de três disciplinas: Meio Ambiente; Riscos e Incertezas: Análise de Risco; e Logística.

Todas as áreas estão demandando inovações tecnológicas e de serviços visando a obtenção de melhorias contínuas, de eficiência operacional, de redução de custos e da redução de riscos e incertezas.

No Reino Unido, a meta é de redução global de 35% nos custos do descomissionamento. Para chegar a esse resultado, as empresas estão praticando a colaboração/cooperação pelo estabelecimento de parcerias definidas pela especialização de cada uma das empresas.

Exemplo dessa prática foi apresentada na Conferência de St. Andrews pela Volia (gestão e destinação de resíduos) e a Peterson (estaleiro, mobilidade, heavy lift ,  barcaças e rebocadores). Para as atividades de heavy lift,  a Peterson utilizou-se dos serviços da empresa Boskalis.

Outra estrutura de parceria foi dividir o descomissionamento em três grandes desafios e efetuadas cada uma por empresas especializadas. São os seguintes:

  • Why? O Por quê?

Engenharia da proposta e suas especificações. Definição do por quê descomissionar.

  • What? O quê?

Definição do que executar e do plano de descomissionamento.

  • How? Como?

Como executar o descomissionamento.

Na análise de oportunidades geradas pelo descomissionamento, há um número significativo de serviços especializados e pesquisas acadêmicas a serem desenvolvidos, especialmente no reuso dos aços provenientes do desmantelamento, na logística e na mobilidade dos equipamentos e materiais, tanto offshore quanto onshore.

 

*O eng. prof. Ronald Carreteiro é diretor da Rona Assessoria Comercial. Atua como consultor nas áreas de óleo e gás e naval.

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