Energias renováveis insuficientes?

O mundo conviverá com diferentes fontes de energia (e de ideologias) por muito tempo

Em artigo publicado recentemente, sob o título “No, Renewables Are Not Taking Over The World Anytime Soon”*, Bjorn Lomborg opina que “Nós gastamos os dois últimos séculos saindo das energias renováveis porque elas eram fracas, custosas e não confiáveis. Meio século atrás, em 1966, o mundo obtinha 15.6% de sua energia dos renováveis. Hoje (2016), nós temos menos ainda de nossa energia vinda dos renováveis, 13.8%.”

Segundo o artigo, em 2040 serão 19.4% vindos das energias renováveis (World Energy Outlook report, IEA). Também, que o mundo iria gastar US$ 3,6 trilhões em subsídios para isto ser possível acontecer. Mesmo que o planeta se tornasse “elétrico”, estariam sendo resolvidos 33% dos gases poluentes apenas. Finaliza dizendo que é necessária uma visão realista da energia renovável, com muita pesquisa e barateamento para que ela possa transformar o mundo.

Focalizando os dados dos EUA, do total da produção interna em 2016 (fonte IEA):

Gás Natural – 33%
Petróleo (óleo cru e plantas líquidas de gás natural) – 28%
Carvão -17%
Energia renovável – 12%
Energia elétrica de energia nuclear – 10%

As três fontes fósseis – petróleo, gás natural e carvão – contabilizam bem mais que a metade da energia produzida neste país.

O gráfico do IEA projeta que, para 2040, as três principais fontes continuam as mesmas, chamadas de fósseis, que seriam petróleo, gás natural e carvão, com mais de 50% de participação.

Mas o que significa isso, então?

As energias renováveis não teriam o valor proclamado?

Primeiro, vale a pena dizer que o aumento da participação das energias renováveis, por mais que não pareça tão espetacular, traduz-se em ganho de qualquer maneira para o planeta. Significa melhorar o meio ambiente, e qualquer ganho é muito, reduzindo consequências indesejadas em saúde, influência no aquecimento global, etc.

Segundo, que a demanda pela exploração e produção de óleo e gás parece que não terá um decaimento tão rápido como se poderia supor, mesmo com o mundo não crescendo tanto em consumo e cada vez mais havendo aumento da eficiência mecânica e elétrica dos sistemas aplicados.

Terceiro, que a não ser que apareça uma tecnologia que promova uma ruptura inesperada com esta continuidade aparente, o mundo permaneceria com o perfil atual por pelo menos mais 20 anos.

Em quarto lugar, essas discussões todas de energias renováveis, mesmo sendo apaixonantes e instigadoras, poderiam conter mais profundidade sobre as energias de origem, primárias, e todas as suas causas e consequências. De forma que permitam uma análise mais cuidadosa e com melhores propostas de soluções, evitando notícias exageradas que induzem ao pensamento de solução milagrosa próxima e completa.

Parece que estaremos vivendo um misto de energias e ideologias nessas próximas décadas. Possivelmente a arte estará em conviver harmoniosamente com todas elas, independentemente de escolhas individuais. O mundo não mudou, os direcionadores são fortemente econômicos, os interesses empresariais, as tecnologias de oportunidades.

Salve-se, planeta.

*Armando Cavanha (cavanha.com) é professor convidado da FGV/MBA.

* (https://www.linkedin.com/pulse/renewables-taking-over-world-anytime-soon-bjorn-lomborg)

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