Armando Cavanha: portais eletrônicos em óleo e gás

Portais podem cumprir um importante papel em atividades menos especializadas no setor

A cadeia de valor de O&G possui uma grande quantidade de atividades e  com alta diversidade. Entre elas, Geologia, Geofísica, Engenharia de Reservatório, Engenharia de Construção e Montagem, Segurança Operacional e Meio Ambiente

Abaixo, veja uma representação sintética da cadeia de Exploração e Produção de petróleo, também conhecida como Upstream.


É possível ver o detalhamento em três níveis. Por exemplo, já na primeira atividade, na terceira camada, estão a aquisição, o processamento e a interpretação de dados  geofísicos.

Assim, para cada atividade, há fornecedores de primeiro contato, aqueles que se conectam diretamente à petroleira. E os de segundo contato, que são os fornecedores de fornecedores, por vezes menores e até mais tecnológicos. Entre eles, componentes, peças, equipamentos, serviços especializados.

Além disso, há fornecimentos que cruzam a cadeia toda, funções comuns em qualquer atividade. Alimentação, Sistemas de Informação, Segurança Patrimonial, etc.

O mesmo se dá para o transporte e refino, segmento conhecido como Downstream.


Ora, para essa significativa quantidade de fornecedores do upstream e do downstream, com milhares de interações com a empresa contratante, há itens mais críticos sendo fornecidos, como há mercados mais complexos de onde se vai adquirir.

Costuma-se separar os fornecedores em quatro quadrantes.

  • Itens críticos e itens não críticos, no eixo horizontal.
  • Mercado complexo e mercado não complexo, no eixo vertical.


Para o quadrante acima e à esquerda, mercado complexo e itens não críticos, são indicados contratos de longo prazo, consórcios, coordenação central.

Já o quadrante à direita e abaixo, mercado não complexo e itens críticos, são recomendados contratos de curto prazo, monitoramento, substituição, consolidação.

O quadrante acima e à direita, mercado complexo e itens críticos, recomenda parcerias, integração vertical, desenvolvimento de fornecedores.

Assim, É um quadrante que permite pensar em colaboração intensiva, patentes compartilhadas, etc.

Finalmente, o quadrante abaixo e à esquerda, mercado não complexo e itens não críticos, utiliza-se de terceirização, padronização, catálogos e automação.

Esse último conjunto representa compras e contratos mais locais, itens de menor valor, utilizados de forma igual ou parecida em qualquer petroleira. Ou mesmo em outras cadeias produtivas que não a de petróleo. Entre elas, materiais de escritório, informática, limpeza, segurança patrimonial, alimentação, transporte, inspeção, etc. Representam cerca de 80% em quantidade e 20% em valor do total anual de uma companhia petrolífera. Normalmente, não requerem qualificação técnica aprofundada dos fornecedores, nem aferição detalhada dos materiais, equipamentos ou serviços adquiridos.

Nesse campo reside o espaço para utilização de  portais, confiáveis, rápidos, que tenham um catálogo de fornecedores locais, com a opção de punch out (integra fornecedores finais com usuários finais diretamente) e configuração de simplificação de processos repetitivos, ou mesmo com Inteligência Artificial. Alguns contém serviços de cotações e compras, de forma terceirizada.

Portanto, trata-se de automatizar os processos menos impactantes, dando espaço e tempo para os profissionais próprios no aprofundamento das questões críticas e de mercados complexos, específicas e tecnológicas, o que diferencia empresas mais estratégicas de outras em desenvolvimento.

Assim, separar categorias, tratar diferentemente itens críticos e mercados complexos, automatizar os itens comuns e de menor impacto, são táticas de procurement, adoção de melhores práticas mundiais para indústrias de capital intensivo.

No Brasil, há portais importantes que cobrem essas características. Certamente podem ser utilizados para apoiar o aumento de eficiência das petroleiras. Tanto as locais, de diversos tamanhos, como as estrangeiras, que se interessam por descobrir e utilizar o mercado local de forma mais segura e rápida. Não só as petroleiras, mas as empresas fornecedoras de bens e serviços de primeira camada também podem se beneficiar do uso de portais locais com cadastros gerais.

Há portais com mais características de governo, que seguem legislações para licitações públicas, pregões, como o SICAF – COMPRASNET; outros de companhias de petróleo, como o da Petronect da Petrobras; outros mundiais e muito amplos, como o Ariba; dentre outras muitas soluções.

Também, portais melhoram as questões de compliance, já que retiram a pessoalidade das relações entre fornecedores e compradores, uso de telefones, emails, padronizando e registrando de forma segura contatos e transações.

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