Armando Cavanha: Interfaces de dados técnicos em O&G

Dados obtidos no ecossistema de óleo e gás podem e precisam ser integrados

Ao longo dos processos estão os dados, entradas, saídas, registros, controles. Lá do início, com geofísica, geologia, depois perfuração, desenvolvimento da produção, operação da produção, segurança operacional, meio ambiente específico, descomissionamento, dados de blocos exploratórios, leilões, etc. Rastreáveis, imutáveis, disponíveis.

Muitos desses dados são requeridos legalmente pela ANP e enviados de maneiras e formatos diversos, com procedimentos e controles distintos para cada área de conhecimento. Nem sempre rápidos, nem sempre simples, muitas idas e vindas, rejeições por erros ou entendimentos distintos.

Existe, portanto, um emaranhado de dados, informações, de toda natureza. Os capturados por métodos indiretos, como sísmica, logging, os capturados por sensores localizados em diversas operações e equipamentos, os inseridos pelos trabalhadores, inspetores. E arquivos físicos, de Testemunhos de Rocha, Amostra de Calha, Amostra de Fluidos.

Alguns são da operadora, outros vem pelos prestadores de serviços. Uns proprietários, como os dados interpretados, outros públicos, porém reservados no tempo. Técnicos, econômicos, volumes, anomalias.

Considerando como exemplo apenas o Upstream, e observando o primeiro cilindro de dados contemplando a geofísica, da figura permite-se inferir por diversos níveis de dados.

Camadas de sensores, camadas de captura, aquisição de dados, processamento de dados, interpretação de dados e, finalmente, gestão deles. Ainda, em camadas superiores, leilões, blocos, campos, reservatórios, Programas Mínimos, Conteúdo Local.

Cada um dos processos subsequentes da cadeia de valor de Óleo e Gás tem seus próprios dados, formatos, sistemáticas, interlocutores.

Seria possível uma arrumação deste ecossistema, iniciando com alguma padronização de transmissão, recepção, procedimento? Verificação de qualidade? Disponibilização? Gestão?

Quem sabe também acordando formatos, meios, filtros, empurrando de quem obtém os dados para quem os recebe, ao invés de puxando, enfim, revisitando cada cilindro e olhando para um portal de interfaces? Considerando dados em nuvem, big data, acessos, etc? E ainda Inteligência de Busca, Redes Neurais, etc? Há tantas novas tecnologias em uso e em desenvolvimento, muitas já em utilização plena por empresas de diversas cadeias produtivas distintas.

Essa é uma discussão que pode ser interessante para a indústria e Estado, uma vez que teremos, provavelmente, um crescimento exponencial das atividades no Brasil. E envolvendo possivelmente universidade, ANP e institutos de petroleiras, se utilizando de recursos de Pesquisa e Desenvolvimento, se aplicável. Ainda, desenhar, por consenso, uma estratégia, convergir em ganhos para todos os lados. Assim, não há dúvidas que para um país que estará produzindo em breve entre 4 a 5 milhões de barris por dia, 150 a 200 milhões de metros cúbicos diários de gás, com reservas multiplicando-se de forma impressionante; em águas profundas, campos mais antigos, terra, shale; com consórcios, concessão, partilha, cessão onerosa 1 e 2; e com um supply chain imenso global e local, que um trabalho desta natureza poderia organizar o futuro esperado espantoso e facilitar a vida de muita gente nesse segmento produtivo.

A sugestão é propor a ANP lançar um desafio de reunir os interessados e lançar as bases de um estudo, convergir em um projeto e desenvolver esse novo ambiente para organizar o futuro, trazendo também o passado de dados, que já não é tão pequeno.

*Armando Cavanha é professor convidado da FGV/MBA

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