ARMANDO CAVANHA: Estratégia 4.0

Indústria de óleo e gás precisa traçar estratégia para fazer uso eficaz das novas tecnologias

O mundo está rapidamente se digitalizando, apesar de conviver com as realidades antigas dos mesmos processos. As novas gerações nascem no mundo digital, têm de aprender o velho, enquanto as gerações mais antigas têm de se esforçar para absorver o novo – embora muito do novo seja a digitalização da burocracia.

A indústria de óleo e gás não é diferente. Tem de transformar o semiautomatizado existente e funcionando no novo, tendendo constantemente ao digital. Especialmente no upstream, que representa 70% ou mais do investimento e custos na área de óleo e gás.

Cada uma das atividades do upstream detém características diferentes das demais áreas. Vale a pena diferenciar as tecnologias dos processos de cada atividade em comparação com as tecnologias de sensores, controles, integração e muito mais com a visão internet of things (IoT).

Por exemplo, a aquisição sísmica incorpora tecnologia. Navios arrastam cabos geradores de pulsos de ar e recebem na sequência ondas sônicas de reflexão que viajam 3 mil metros na água e 7 mil metros em camadas rochosas de diferentes tipos em segundos. Essas ondas levam a informação a ser armazenada para os processos à frente. Portanto, atividades caras.

Embora incorpore tecnologia, a aquisição sísmica é isolada das demais atividades do upstream. Há pouca integração e padrões compartilhados. O sistema de dados é bastante diferente dos demais, controles e comandos, etc. Ou seja, é uma tecnologia sofisticada porém separada, isolada, com vida própria.

Algo parecido se dá na perfilagem de poços: muita tecnologia interna e integração lateral pequena.

Assim, há as tecnologias operacionais que são únicas ao longo da cadeia produtiva e as integrações com as etapas anteriores e posteriores.

Assim, há as tecnologias operacionais que são únicas ao longo da cadeia produtiva e as integrações com as etapas anteriores e posteriores.

De outro modo, as tecnologias no desenvolvimento da produção são mais integráveis.

Quando se fala na digitalização e IoT no setor de óleo e gás, está se falando de muito mais que apenas sensores, controles, comandos. Estão aí as integrações, predições, inteligência de dados, etc., acima das tecnologias de fabricação de cada processo em si.

Mesmo sendo diferentes, podem ter similaridades na interface com o humano, na padronização da comunicação, modelos de decisão, dados, reações, etc.

Há, assim, uma diferença importante quando se fala das tecnologias.  Uma coisa é a tecnologia em si. Outra é a gestão, que poderia ser denominada de gestão da tecnologia, sendo mais gerenciamento do todo e menos engenharia das partes.

Um dia provavelmente esta diferença vai acabar. Tudo será fabricado com a integração e a inteligência prontas e disponíveis.

Sistematizar a integração das tecnologias é preciso

A sistematização da camada de integração requer alguns passos:

1- O plano, que explicaria os passos, as fases, os conteúdos e modelos

2- Um desenho, que mostrasse as conexões e suas respostas

3- O procurement da solução

4- A construção

5- Implementação

6- Operação e manutenção

7- Capacidade de fazer upgrades de forma contínua e sem impactos nos processos já implementados e rodando.

Processos dessa envergadura precisam ser pensados com as componentes de contingência, redundância – como o conceito blockchain –, robustez, resiliência, como a mobilização para o imprevisível.

Os investimentos da vez são na digitalização, fazendo os muitos processos serem um só, como se fosse a colaboração das máquinas. Tanto internamente, na vertical dos processos, como com outras atividades distintas, segmentos múltiplos de negócios, uma integração horizontal.

Há uma diversidade grande de termos, certamente com distinção em suas abordagens, mas que possuem algumas células comuns. Os contornos são diferentes. Por exemplo, IoT, IoE, mobilidade, digitalização, automação, captura e controle, monitoramento, indústria 4.0, dentre muitos outros.

Alguns mais antigos, outros mais novos, uns mais especialistas, outros mais genéricos. São partes e evoluções de objetivos: padronizar, compartilhar, comunicar, controlar, decidir, predizer e substituir.

A sequência da captura, controle, comando e predição passam a ser incorporados à quase intuição da inteligência artificial. As máquinas pensam e agem com menos interferência humana nas operações. Um desafio em andamento.

Armando Cavanha é professor convidado da FGV/MBA e moderador em cavanha.cafe

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